Aquilo
que está nas escrituras não fica somente na letra das músicas. Nós
experimentamos as revelações contidas na palavra em nossa vida. Deus habita no
meio do louvor do seu povo. E podemos perceber que quando a igreja se reúne para
adorar a Deus em espírito e em verdade, Deus recebe nossa adoração. A qualidade
do louvor e da adoração não pode cair quando estivermos em nosso devocional, a
sós com o Senhor. A nossa adoração não
pode depender do outro. Nosso louvor deve ser oferecido ao Senhor independente
de qualquer circunstância, pois o nosso louvor é fruto da graça de Deus sobre
nossas vidas. Não é porque somos bons ou somos santos, mas porque a graça do
Senhor se derrama sobre as nossas vidas.
Texto da pregação (1º parte: Mateus 26:20-25)
Quem
somos nós? Qual o nosso papel diante de Deus?
O
salmista questiona no Salmos 8:4: “Quem é o homem para que te lembres dele? E o
filho do homem, para que o visites?”.
Quem
é o homem para receber tamanho privilégio de ser visitado por um Deus supremo e
poderoso? Isso é algo que não acontece nem entre os próprios homens. Porque
entre nós, o menor sempre terá que servir o maior. Mas o Senhor declarou que
seu reino não seria como é na terra. Por isso os paradoxos do Senhor: "o
maior servirá o menor", "é exaltado quem se humilha”; “ganha quem
perde”; “vive quem morre”.
Quem
é o homem para atrair a atenção de um Deus assim?
Às
vezes nos pegamos questionando a nós mesmos: "será que Deus está vendo o
meu problema? Será que Ele está se preocupando comigo?". E muitas vezes
passamos a "computar" tudo o que temos feito para o Senhor, almejando
algum tipo de recompensa, praticando a religião de “causa e efeito” em prática.
Por
isso a bíblia nos diz que Ele nos amou primeiro. Nós fomos achados pelo Senhor
e por isso, Ele nunca estará em dívida conosco. Nosso relacionamento com Ele é
pela graça.
Tudo
o que o Senhor fez e faz por nós não é pelo que fazemos ou deixamos de fazer
por Ele, mas sim pela graça.
Nós
não somos nada. Somos como pó, somos como a flor da erva, que saindo o sol,
seca-se a erva e cai a sua flor.
Podemos
citar também o centurião quando foi à procura de Jesus interceder pelo seu
servo, que estava acamado, enfermo. Ele pediu para Jesus ter misericórdia do
seu servo. Jesus disse: “Vamos até lá que vou curar teu servo”. Porém o
centurião disse: “Não, Senhor. Não sou digno de recebê-lo em minha casa. Quem
sou eu para receber o rei do universo em minha casa? Eu também sou homem
sujeito à autoridade e também tenho homens sujeitos à minha autoridade. Então,
Senhor, dê apenas uma palavra e meu servo será curado”.
Jesus,
olhando para aquele homem, disse que jamais encontrou tamanha fé em Jerusalém.
Se
o Senhor se fizesse presente em nosso meio encarnado, ele encontraria tamanha
fé em nossos corações?
Devemos
saber quem nós somos. Devemos conhecer o Senhor. Conhecer significa
relacionamento, intimidade, experiência. E sabendo quem é Deus, saberemos quem
somos nós.
Quando
nos conhecemos, percebemos que os tributos de Deus não se alinham com as nossas
inclinações e então nos aproximamos do Senhor, pois percebemos o quão falho e
pecadores somos e queremos nos salvar de nós mesmos, nos achegando a Deus.
Neste
capítulo de Mateus, quando o Senhor declara que um dos discípulos o traíra,
eles não perguntaram quem seria essa pessoa. Eles perguntam: "por acaso
sou eu?". Demonstrando com isso um elevado grau de maturidade, pois estão
preocupados consigo mesmos e não em apontar os outros.
Isso
se aplica quando ouvimos uma pregação e não olhamos para nós mesmos. Temos o
seguinte pensamento: "Se fulano estivesse aqui, esta palavra serviria para
ele". E enquanto estivermos olhando para fora de nós mesmos, ainda não
teremos atingido a maturidade que o Senhor quer de nós. Ainda seremos meninos.
Que
nós possamos fazer o seguinte exercício: quando a mensagem for algo de
"bom", como por exemplo, prosperidade, pensaremos que esta mensagem
foi para o nosso irmão e oraremos pela vida dele. Por outro lado, se for algum
tipo de exortação, como por exemplo, arrependimento, aplicaremos à nossa própria
vida e tomaremos a palavra para nós mesmos.
O
Senhor não está limitado a nada. Que o arrependimento seja em nós como o ar que
respiramos. Que vivamos em constante arrependimento.
O
Senhor considera os erros e pecados do outro como cisco. Porém quando trata os
nossos pecados, trata como estaca. Portanto, devemos olhar para dentro de nós,
para os nossos próprios erros.
Jesus
diz que somos insensíveis às nossas falhas. Sendo assim, todas as vezes que
entrarmos na presença do Senhor, que possamos perguntar: "Senhor, sou eu?
Porque sei que sou capaz de enganar, de trair, de mentir e de muitas coisas
ruins".
Que
vivamos assim: olhando para nós mesmos, enxergando os erros diante do Senhor. E
em relação ao outro, que tenhamos amor, porque o amor cobre uma multidão de
pecados.
Texto da pregação (2º Parte: João 19:31-37 e Gálatas
6:11-17)
No
texto de Gálatas, Paulo faz uma diferença muito grande do que é interior e do
que é exterior. E começa falando daqueles que cobravam dos gálatas, das
igrejas, que eram os judaizantes que haviam se convertido ao evangelho de Jesus
e eles queriam dar continuidade às observações da lei. E uma das ordenanças da
lei era que eles se circuncidassem.
Eles
não conseguiam entender que Jesus, com sua morte e ressurreição, transformou
dois povos em um, porque antigamente, devido à aplicação errada da lei, havia
uma separação entre judeus e samaritanos, judeus e gentios.
Para
os homens judaicos, a lei ordenava que eles se circuncidassem, que era uma
marca exterior da conversão ao judaísmo.
Paulo
mostra que a marca do evangelho de Cristo é algo interior e não exterior. Não é
a circuncisão no prepúcio, mas sim no coração, na alma. E não em uma
vestimenta, ou através de um objeto que é carregado embaixo do braço, mas o
verdadeiro evangelho se manifesta através de uma pessoa que se tornou nova
criatura, do novo nascimento.
Ele
mostra que a lei, o velho testamento aponta para Cristo. A bíblia diz que a lei
serviu de aio, do grego, paidagogo, ou seja, o pedagogo, que era o escravo
responsável por pegar na mão do filho do seu senhor e levá-lo até o lugar de
ensino. E ele nos diz que a lei serviu para isso, para nos conduzir a Cristo.
Porque Ele é a realidade, Ele é o cumprimento da lei. E todo aquele que está em
Cristo, já cumpriu as ordenanças da lei.
Naquele
tempo, eles tinham a tradição de que a crucificação deveria causar um intenso
sofrimento ao condenado. Não era do agrado deles que o crucificado morresse
rápido. O crucificado ficava dias sofrendo na cruz. E então, eles quebravam os
ossos para que o condenado morresse mais rápido. E no texto de João fala sobre
isso. Eles só quebraram os ossos dos condenados naquele dia, porque era sábado,
considerado dia santo pelos judeus. E aí mais uma vez, a expressão da importância
da exterioridade. Quando eles chegaram perto de Jesus, viram que não havia
necessidade de quebrar seus ossos, porque Ele já havia rendido seu espírito. Eles
ficaram admirados por ver aquilo acontecendo, pois não era o comum.
Porém,
isso aconteceu para que se cumprisse a escritura, que dizia que nenhum dos seus
ossos seria quebrado.
Mas
o soldado não satisfeito com o que vira, resolveu ferir o lado de Jesus com uma
lança. E ao fazer isso, sai de dentro de Jesus água e sangue.
Diante
de tudo aquilo que Jesus nos ensinou, podemos perceber que o sangue simboliza
seu próprio sacrifício, numa vida pautada em sacrifício. E o jorrar da água
fala de palavra, da internalização da palavra de Deus.
Quando
somos feridos pela lança da indiferença, da perseguição, o que jorra do nosso
interior?
Muitos
têm se mostrado como sepulcros caiados, que por fora estão lindos, mas por
dentro, cheios de ossos secos.
Jesus,
no Getsêmani, se angustiou porque estava separado de Deus por algum tempo. E
nós, por outro lado, não nos importamos quando nos afastamos do Senhor pelos
nossos pecados. Porque os nossos pecados é que fazem separação entre o homem. E
não há pesar nenhum em nossos corações.

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